sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Reconciliação? cap 13


Acordei durante a madrugada com a cama ainda vazia, era tão ruim estar brigado com ela, isso me deixa mal demais. A Luciana tem um jeito duro as vezes, mas confesso que nunca tinha visto ela tão estressada como ontem. Será que esta acontecendo alguma coisa que ela não quer me contar?
Olhei a hora, e me excomunguei ao lembrar que tinha que acordar todos os dias pouco mais de 3 da manha, para tomar o anti gripal no horário correto. Me levantei sem um pingo de vontade, segui ate a mesa de cabeceira onde os meus remédios estavam espalhados por sima, exatamente como eu tinha deixado, pois nem guardar eu me dei ao trabalho, por que quem faz isso e a Luciana. E ela que cuida dos medicamentos, na realidade ela cuida de tudo, e eu não tenho ideia do que fazer sem ela ao meu lado. “Depois de 7 anos juntos, eu me vejo meio perdido sem ela brigando, por que estou descalço como se eu fosse um dos nossos filhos.” Mal sei onde ficam as minhas cuecas nesta casa.
Calcei os chinelos, e segui para a cozinha, tinha que pegar um copo d’agua para beber o remédio. Toquei a minha própria testa e senti que estava quente alem do normal, e provavelmente estava com febre, não muito alta, mas estava. Voltei no quarto e coloquei um casaco de moletom, pois devido ao aquecedor, o quarto estava mais quente que o restante da casa. Segui para a cozinha, e antes de terminar de descer as escadas, ouvi um barulho vindo da mesma, achei estranho, afinal, quem estaria na cozinha de madrugada? Terminei de descer as escadas bem devagar, tentando emitir o mínimo de barulho possível, segui pela sala, ate a porta da mesma, que estava com a luz apagada, levei mais um susto ao ouvis um barulho de copo na pia de inox, estiquei o meu braço acendendo a luz da cozinha, me assustando, e assustando ela.

-Você quer me matar do coração?<a encarei colocando a mão no peito>

-Eu?... Você que aparece do nada sorrateiramente, e eu que te assusto?<reparei que os seus olhos estavam vermelhos>

-Perdeu o sono?<perguntei receoso>

-Só vim beber água!<se virou ao notar que reparei em seus olhos>... Vou voltar para o quarto do Ian...

-Lu, vamos conversar amor?<disse segurando em seu braço>

-Eu não quero conversar com você Bruno!<disse olhando para a minha mão>

-Amor por favor, para com isso, vamos conversar...

-O que você quer conversar?<me encarou>

-Na paz por favor, sem briga, eu não quero brigar com você amor!... Me desculpa pelo que te falei no hospital, eu não deveria ter dito o que disse...

-Voçe sabe que não foi só isso Bruno...

-Eu sei Lu!... Me deixa terminar?<revirou os olhos cruzando os braços>... Em relação ao que você viu assim que chegou, eu sinto muito, mas não foi a minha intenção, eu juro, você sabe como as coisas são, elas se jogam mesmo...

-E você olha mesmo ne?<disse indo ate a geladeira e servindo mais um copo de água>

-Foi intencional, eu juro...

-Intencional Bruno?<disse colocando o copo de água a minha frente>... Conta outra!... Bebe logo este remédio!

-Eu sei que o que você viu não tem desculpa ao seu ver, só quero dizer que sinto muito...

-Não tem desculpa ao meu ver?... Quer dizer que ao seu ver tem desculpas Bruno?<bebi o remédio antes que passasse ainda mais da hora>


-Luciana...

-Aquela mulher estava esfregando os peitos na sua cara, e você não fez questão de desviar o rosto, e vem me dizer que ao seu ver, tem desculpas?

-Amor me perdoa, eu errei, assumo o meu erro Luciana, mas por favor vamos dar um fim nisso!

-Você sabe que eu sou rancorosa demais para simplesmente te desculpar não sabe?

-Eu sei, mas eu sei que você me ama, assim como eu te amo muito, mesmo fazendo umas cagadas destas as vezes...

-Este e o meu mal, te amar demais Bruno, este e o meu maior defeito!<disse respirando fundo, aproveitei que ela estava de olhos fechados e me aproximei>

-Me desculpa Lu, eu não vou suportar ficar longe de você!<a abracei de surpresa>... Eu ouvi o que o nosso filho falou, e esta e a ultima coisa que eu quero, ver a nossa família separada mais uma vez!<ela me encarou>... Eu amo você, amo os filhos lindos que você me deu, e eu não quero ficar longe de vocês novamente, já chega o que aconteceu antes...

-Bruno ouve uma coisa, eu posso estar sendo enérgica demais, mas eu não te perdôo, não ainda, eu estou magoada com você, e muito magoada, mas em respeito aos nossos filhos, e para não deixar principalmente o Ian preocupado, achando que vamos nos separar novamente, eu vou voltar para o nosso quarto...

-Obrigado amor...

-Porem, você fica no seu canto, e eu fico no meu...

-Poxa Lu...

-E assim, ou eu me mudo de vez para o quarto do Iam!<me encarou>

-Tudo bem patroa, e você que manda...

-Sem ironia “amorzinho”!<me encarou>

-Tudo bem, desculpa!<segurei a sua cintura com as duas mãos>... Será que eu posso ganhar um beijo de reconciliação?

-Não sei se merece!

-Poxa amor, acima de tudo, eu ainda estou doente...

-Quer que eu chame aquela enfermeira para cuidar de você?

-Lu, não vai começar de novo não e?

-Não!<me deu um selinho tão rápido que eu nem senti os seus lábios encostarem nos meus>... Vamos dormir!<se desvencilhou de mim>

-Que beijo de reconciliação e este, eu nem senti o selinho mal dado...

-Quem disse que nos reconciliamos?<me encarou já da porta da cozinha>... E so uma trégua Peter, só uma trégua!<disse e seguiu para as escadas, parece que desta vez será ainda mais difícil do que da outra>

Segui em silencio atrás dela que foi para o nosso quarto, e so de vê-la entrando naquele cômodo, já senti um alivio em minhas costas. A Luciana e a mulher que eu amo, quanto a isso eu não tenho duvidas, eu sei que faço merda as vezes, mas eu sei que não vivo sem a minha mulher, eu preciso e tentar me concertar de vez, se não eu corro o risco de perde-la para sempre desta vez.
Entrei no quarto, e fui direto para o meu lado da cama, me deitei e ela estava imóvel virada de lado, no caso de costas para mim. Virei para ela ficando de lado olhando para o seu pescoço, com alguns fios de seus cabelos escuros sobre a sua pele clara. Definitivamente eu não sei o que e pior, se ela não estar na cama, ou estar, e eu não poder se quer tocá-la.
Respirei fundo, e notei que ela suspirou pesadamente. Estiquei a minha mão para tocá-la, mas recuei, não queria aborrecê-la mais do que já estava aborrecida, já tinha feito muita merda para um dia só. Mas esta distancia toda entre nos me deixa agoniado, tentei mais uma vez e a única coisa que fiz foi tocar de leve em seus cabelos, vendo o seu corpo se contrair.

-Eu te amo meu amor!<disse em tom baixo>

Esperei que ela ao me mandasse calar a boca, mas infelizmente nem isso ela fez, nem se dar ao trabalho de me responder, ai você me questiona: “ Ah, ela já poderia estar dormindo”. Não, ela não estava, eu a conheço, e sei bem quando ela esta rendida ao sono, o seu corpo fica completamente relaxado, e quando estamos brigados, no caso quando não estamos dormindo agarrados, ela so dorme de barriga para baixo. Decidi deixá-la com os seus pensamentos, e apenas tentar dormir, fechei os olhos e tentei relaxar.

Luciana on

Será que fui dura demais? Não. Se eu deixasse rolar, e cedesse de primeira, seria mais uma brecha para ele fazer outra, e outra, e outra vez, enfim. Voltei para o quarto depois de vários pedidos de desculpa, e uma conversa “civilizada” na cozinha, mas mesmo estando aqui, não significa que esta tudo bem, e eu fiz questão de deixar isso bem claro para ele.

-Eu te amo meu amor!


Merda por que ele faz isso comigo? Eu sim o amo de verdade, eu me mantive firme, em todos os momentos, rodas as vezes que a imprensa dizia que ele tinha um affair com alguma atriz, cantora, ou ate mesmo “uma morena na balada”. Me mantive aqui quando ele me traiu com aquela secretariazinha, a tal de Brandy, mas tenho certeza de esta nunca mais chegara perto da minha família novamente, se não ela sentira o peso da minha mão novamente na cara dela. Se ele soubesse como eu realmente o amo, jamais faria tudo isso comigo, jamais me magoaria desta forma. Depois de um tempo apenas pensando em algumas coisas inúteis, acabei pegando no sono.

Acordei com uma dor de cabeça enorme, coloquei a mão na testa a massageando com os olhos fechados. Senti a cama vazia, olhei para o lado, e realmente estava, achei estranho, afinal era sempre eu que o acordava. Levantei a cabeça na tentativa de ouvir algum sinal de sua presença no quarto, mas não ouvi absolutamente nada, alem do barulho irritantemente alto do meu celular.

-Quem me perturba?<atendi ao celular delicadamente>

-Bom dia para você também minha patroa querida!

-O que e Kevim, a minha cabeça esta explodindo, e infelizmente hoje eu não estou nem para o "papa"!... Desmarque tudo por favor!

-Sim senhora!... Ah, eu estou bem, caso deseja saber!

-Não estava interessada, mas já que mencionou, que bom, acredite, eu estou feliz, só não estou com humor para sorrir!

-Noite difícil?

-Acredite, quando for da sua conta eu responderei!... Que bom que esta vivo, pensei que o meu mari... Que o Bruno tinha acabado com a sua raça!

-Digamos que ele foi bem hostil comigo, mas sinto que isso e de família!

-Já mandei você ir a merda hoje?

-Não, mas muito obrigado pela lembrança!

-Por falar em lembrança, me lembre que preciso contratar um fotografo substituto, para quando eu estiver de “bode”!

-Não sei pra que, as pessoas vem aqui pelo seu trabalho, e não o de terceiros!

-Odeio quando você esta certo!

-Eu sempre estou!

-Nem começa!... Me diz uma coisa, pra que você me ligou?

-Para saber se você estava bem, afinal saiu tão alterada do hospital com o seu marido...

-E com você também, desde quando te dou liberdade para fazer aquele tipo de comentário?

-Me desculpe, e que somos amigos e eu pensei que...

-Olha, ele já não gosta de voçe, e ainda ouvindo isso, ele provavelmente estava querendo te matar!

-Eu sei!

-Bom dia mamãe!<fui interrompida pela porta se abrindo e ele e as crianças entrando com uma bandeja de café da manha>

-Bom dia!<disse sorrindo, se fosse do ele, sem duvidas o sorriso não seria tão grande>... Eu preciso desligar, por favos cancela tudo!

-Claro, ate segunda!

-Ate!... Amores da mamãe, bom dia!<beijei os 3, mesmo a Lena parecendo não estar la tão feliz por estar aqui>

-Bom dia meu amor!<veio em minha direção para me der um beijo, mas eu desviei>

-Por que você não quer beijar o papai?<Lena como sempre mais do que observadora>

-Por que... Por que, eu... Não escovei os dentes ainda!

-Mas eu já vi vocês se beijando assim que acordam!<me encarou>

-A mamãe não quer Lena!<ele disse baixo>

-Ela esta triste com o papai!<Ian se prontificou a me “caguetar”>

-Por que mamãe?... O que o papito fez?

-O papai, fez...

-Nada, o papito não fez nada, e a mamãe não esta triste com ele!<o encarei e o puxei para um beijo decente>... Bom dia!


-Bom dia meu amor!<sorriu>

-Vamos tomar café?<perguntei olhando para as crianças, e ignorando as suas palavras>

-Vamos!<Ian e a Ali disseram juntos>

-Parem de ser fominhas, já tomamos café, este e só dela!<Lena disse nos fazendo sorrir>

-Esta tudo bem filha!... E melhor se arrumarem para irem pra a escola, mais tarde vamos ao shopping. amanha e o aniversario da Zayma, e precisamos comprar um presente bem legal para ela!

-Ta bom mamãe!<disse Ali me beijando, e em seguida todos saíram>

-Que bom que esta tudo bem...

-Não esta tudo bem Bruno, eu só te beijei por causa deles!

-Mas Lu?

-Bruno, eu preciso de um tempo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário